Parece brincadeira sem graça, mas é possível. Considere as seguintes informações e que uma pessoa está com a seguinte situação:
Usando o cheque especial no valor de R$ 5.000,00,
Deve ao cartão de crédito um valor de R$ 3.000,00,
Tem outras dívidas em atraso no total de R$ 2.000,00, totalizando um débito de R$ 10.000,00,
Tem um carro usado que vale para venda R$ 15.000,00 e tem uma manutenção alta,
As taxas de juros do cartão de crédito e do cheque especial são na média de 8% ao mês, ou seja, R$ 640,00 (R$ 8.000,00 x 8%) de juros todo mês sem abater o principal.
O que fazer então?
Vender o carro e quitar as dívidas no total de R$ 10.000,00 e ficar com o saldo de R$ 5.000,00? Ficar desesperado? Deixar ser executado judicialmente ou esperar que a administradora do cartão de crédito e o banco ofereçam um acordo? Fazer uma economia com os gastos domésticos e tentar pagar o débito? São saídas normalmente utilizadas pela maioria dos devedores, porém o preço dessa solução, em regra, é muito caro.
Ficar sem carro e andar a pé - é caro; ficar com o nome “sujo” na praça - é caro; fazer sacrifício no orçamento familiar podendo comprometer as necessidades básicas da família – é muito caro. Tem solução? A resposta é sim! Siga o raciocínio:
Recomendo que compre um carro novo! Sério, é verdade.
Venda o carro por R$ 15.000,00,
Pague as contas no valor de R$ 10.000,00,
Aplique os R$ 5.000,00 que restaram em fundo de ações e esqueça por 4 anos, pois a longo prazo ações são de longe a melhor aplicação,
Adquira um carro no valor de R$ 30.000,00, através de leasing, sem entrada, com valor residual de 30% para pagar no final do contrato.
Vamos s contas então:
O financiamento é em 48 meses (4 anos). Até lá a manutenção do carro é mínima;
A taxa de juro do “leasing” é de 1,4% a 1,5% ao mês. O devedor paga 8% ao mês para o cartão e para o cheque especial, lembra?
O valor residual será de R$ 9.000,00 para ser paga, ou não no final de 4 anos;
O valor da prestação fica em R$ 753,79 (R$
O saldo de sua aplicação no final de 4 anos com juros de 1% (extremamente conservador, pois rende muito mais) ao mês é R$ 8.061,13, ou seja, quase o valor residual.
Resumindo, o devedor compra um carro novo sem entrada, vende o carro velho por R$ 15.000,00, paga os R$10.000,00 que deve, faz uma aplicação financeira de R$ 5.000,00, paga uma prestação de R$ 753,79 ao mês e quando terminar de pagar as 48 parcelas do “leasing”, você terá em sua aplicação um valor quase igual ou maior para adquirir o carro pelo valor residual (saldo devedor).
Outra opção é não adquirir o veículo pelo valor residual e devolver o carro ao banco, mas em regra o banco não quer. Pode-se também vendê-lo no mercado de usados e o carro valerá mais que o valor do resíduo o que é possível ganhar um extra além do R$ 9.000,00.
Com isso o devedor poderá comprar um novo carro e economizar o extra da venda do carro e conservara aplicação inicial.
Caro leitor isso é o sistema financeiro trabalhando a seu favor. Os bancos e cartões de crédito ganham muito porque dominam essas técnicas, mas o cidadão também pode utilizá-lo, basta ter um pouco de conhecimento.
Jorge Ivan Teles
Auditor – Sócio da Saecularis Auditores Independentes S/S
E-mail: jorge@saecularis.com.br