Entrevistas

Segunda-feira, 06/10/2008

ENTREVISTA: ANTONIO GANIM, SUPERINTENDENTE DE FISCALIZAÇÃO ECONÔMICO E FINANCEIRA DA ANEEL

Antonio Ganim

Antonio Ganim


O IBRACON mantém o grupo de trabalho Energia Elétrica - GT 6 - que reúne profissionais de auditoria e de órgãos reguladores para discutir normas específicas do setor. No último encontro, Antonio Ganim, superintendente de Fiscalização Econômico e Financeira – SFF da ANEEL, concedeu esta entrevista ao IBRACON.




IBRACON: Esta reunião discutiu a aplicação das normas internacionais nas empresas do setor. Qual perspectiva para aplicação?


ANTONIO GANIM: Considerando as especificidades do setor elétrico brasileiro bem como não haver sido identificado ainda a aplicação dessas normas no setor elétrico de outros países, entendemos que devemos ser cautelosos e aguardar um consenso entre os demais países, inclusive dos Estados Unidos da América, da aplicação dessas normas para o setor de energia elétrica,



IB:Existe algum ponto de dificuldade? 

AG: Sim, inclusive o que motivou esta última reunião. Primeiramente nosso entendimento de que há uma necessidade de se estabelecer uma norma para o reconhecimento dos ativos regulatórios, já que os mesmos são estabelecidos na própria legislação do setor elétrico e tem seu recebimento garantido. O segundo, nossa preocupação quanto aos valores do ativo imobilizado em serviço cujos valores na contabilidade são bastante inferiores queles que realmente são considerados na receita da concessionária, já que para fins tarifários, a depreciação e a remuneração dos ativos são calculadas sobre o Valor Novo de Reposição – VNR, de acordo com as regras estabelecidas na Resolução Normativa nº 234/2006, e não há previsão para registro contábil da diferença entre o custo histórico e o VNR.



IB: No GT 6 são convidados representantes dos setores envolvidos com as normas do setor elétrico: ANEEL, CPC e profissionais da auditoria. O grupo está encontrando alternativas para facilitar este processo? Pode comentar um pouco sobre ela (s)?

AG: O GT6, como sempre, tem se empenhado ao máximo na busca do entendimento mais profundo do setor elétrico brasileiro para a melhor definição da aplicabilidade ou não das normas internacionais, pois o setor elétrico tem segmentos distintos e com contratos diferenciados, inclusive no mesmo segmento, que precisam ser avaliados individualmente para uma conclusão final.



IB: Em sua opinião, as empresas do setor estão preparadas para esta transição? Entendemos que sim. A partir do momento que as regras estiverem estabelecidas e for uma regra única aplicável a cada seguimento do setor elétrico mundial, os profissionais do nosso setor elétrico responderão altura.

AG: Qual a importância do IBRACON manter este espaço de estudos e de discussão? Sua importância está na possibilidade de levar aos profissionais do setor elétrico e sociedade como um todo os temas que estão em discussão e suas soluções. Mostra também o empenho que os profissionais do IBRACON têm desenvolvido na busca de soluções dos diversos temas do setor elétrico, já que o GT6 mantém reunião trimestral com a participação da CVM e ANEEL.


Fonte: IBRACON